“Eu já sabia ler e escrever com 3 anos…”
Na cidade de Lichinga, um talento jovem está a conquistar corações e mentes com criatividade e originalidade. Wendy Justo, com apenas 13 anos, já se destaca como artista completa: domina o desenho à mão levantada, cria animações e escreve estórias que exploram temas profundos, como preconceito, conformidade e relações familiares.
De uma trajectória na precoce de leitura e escrita para o mundo real: com apenas 3 anos já sabia ler e escrever, e aos 4 começou a desenvolver suas primeiras obras artísticas. Hoje, Wendy é exemplo de disciplina, paixão e talento, mostrando que a idade não é barreira para a criatividade.
A jovem artista vem surpreendendo professores, colegas e o público em geral, e a REVISTA UPHILE teve a oportunidade de conhecê-la de perto e descobrir mais sobre seu processo criativo, desafios e projectos futuros.
Nesta 2ª edição da revista, recebemos a multifacetada artista, Whendy She Cat, com revelações inéditas, numa entrevista guiada por Julito de Samuel.

Entrevista
Julito de Samuel: Muito boa tarde a todos que nos acompanham neste exacto momento. Eu sou MC Jullas e estamos aqui para apresentar algumas obras da jovem artista Wendy Justo ou simplesmente, Whendy She Cat. Pois bem, diga-nos primeiro: quem é a Whendy artisticamente? O que faz?
Whendy: Boa tarde, eu sou Whendy She Cat e faço desenho à mão levantado, faço animações e também escrevo.
Que classe frequenta?
– 9ª classe.
Tens colegas que também escrevem ou desenham?
– Sim, tenho uma colega que desenha e outra que escreve.
Então você desenha à mão levantada, faz animações e escreve. Um dado muito curioso que me deixou admirado antes mesmo de começarmos a entrevista: quantos anos você tem?
– Tenho 13 anos de idade.
13 anos e já produz desenhos, animações e composições escritas. Quando começou a desenvolver esse espírito artístico?
– Já muito nova. Comecei a desenhar e a escrever histórias fantásticas.
Então começou primeiro por escrever e desenhar, e só depois desenvolveu a parte das animações. Lembra-se com quantos anos começou?
– Eu comecei aos 4 anos.
Aos 4 anos?
– Exactamente, mas não era o melhor momento.
Começaste a escrever aos 4 anos. Com quantos anos aprendeste a ler e a escrever?
– Aos 3 anos.
Com 3 anos já sabias ler e escrever?
– Sim, já juntava letras e fazia algumas palavras.
Quem te incentivou? É raro encontrar crianças dessa idade com esse nível de desenvolvimento.
– Eu via muitos livros em casa e via o meu pai lendo. Pegava os livros e fingia que estava a ler. O meu pai percebeu e perguntou se eu queria aprender. Depois começou a ensinar-me as letras e as sílabas.
Vamos ser sinceros, para a tua faixa etária, já era algo impressionante. Quais desafios encontraste por causa da tua idade?
– Talvez algumas pessoas não acreditarem que eu poderia fazer algo interessante. Acho que esse foi o principal desafio.
Quantos textos têm até agora?
– Eu escrevia apenas em bloquinhos, porque era jovem. Escrevia um pouco e parava. No total, devo ter uns seis ou sete textos, incluindo o mais recente que será lançado ainda nesse mês.
Esses são os textos mais relevantes da tua carreira?
– Sim.
Qual é o título?
– Jornada de Caos: Asas de Luz e Sombra.
O que retracta nessa composição?
– No início, queria transmitir a ideia de conformidade de rebanho. Mas ao longo da história comecei a falar sobre preconceito. Então tratei esses dois temas.
Em quem se inspira para escrever? Escritores nacionais ou internacionais?
– No início, inspirei-me numa cantora. Não pelas músicas, mas pelas mensagens reflexivas que ela transmite. Fala de temas como conformidade de rebanho e preconceito.

E o ambiente local também te inspirou?
– Sim, o ambiente à minha volta motivou-me a escrever.
Tens algum trecho do teu texto actual para partilhar com os que te acompanham?
– Sim. Um dos trechos fala do inferno e do céu de forma abstracta: o inferno e o céu são os mesmos; só se distinguem pela nossa mentalidade.
Este ano, tens alguma nova obra para lançar?
– Sim, estou a escrever um conto sobre bad parenting. Em português, trata de relações familiares disfuncionais.
Qual o objectivo dessa obra?
– Quero retractar a ideia de família narcisista. É uma realidade emocional bastante comum.
Quando as pessoas vêem as tuas obras, qual é a reacção?
– Eu geralmente não mostro muito os textos, só os desenhos. Desenho em vários lugares, até nos intervalos. As pessoas dizem que estão muito bonitos, mesmo quando acho que não estão. A minha mãe é a pessoa mais crítica — ela sempre aponta o que não está bem.
Então tens o apoio dela. Ela vê tudo antes de publicares?
– Sim.
Pensas dar outro passo, como fazer um livro ou revista?
– Ainda não pensei nisso. Tenho o que escrevi antes e o que tenho agora. Se juntar tudo, pode ficar algo muito bom… ou pode não resultar. Mas por enquanto o foco é – Jornada de Caos: Asas de Luz e Sombra.
Quanto tempo levou para escrever o livro?
– Levei de 3 a 5 meses.
Quantas páginas tem?
– De 89 a 90 páginas.
Tendo em conta que em Lichinga não temos editoras e aliado a isso, os custos, como foi o processo ate a concretização deste objectivo?
– Do princípio não foi fácil, mas minha mãe esteve em frente de tudo, começou a campanha que passou pela TVM e muitas pessoas partilharam, o que fez com que o apoio viesse de todos lados, inclusive dos órgãos governamentais. Contamos com ajuda do tio Lino, da Oleba Editores, responsável pela organização do livro, e a nível da província também houve gente que preferiu manter-se no anonimato, mas que nos apoiou.

E para quando e onde será o lançamento?
– O lançamento será no dia 29 deste mês, no Centro Cultural Bela Vista.
Wendy, para finalizar, quero deixar aqui o meu reconhecimento pelo talento que estás a desenvolver tão cedo. Com apenas 13 anos, já és uma referência de criatividade e dedicação. A REVISTA UPHILE, continuará acompanhando tua trajectória com grande expectativa! Em nome da revista, convido a todos a fazer parte do lançamento da obra da pequena Whendy She Cat, no próximo dia 29 de Novembro, no Centro Cultural Bela Vista.
Eu sou MC Julas e até a próxima.
Por: BENEFIEL BONGA & JONITO JANEIRO
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