A Estória de uma Gravidez Anunciada Duas Semanas Antes do Parto

Por pouco a sexta-feira 13 não abraçou aquele festival cujo anúncio da retoma, abalou estruturas e egos. É que, por um erro ou acerto de cálculo, aquela edição, ancorou no dia 14, embora a sexta-feira tenha permanecido. Mas o 13 teimosamente continuava, pois mesmo abandonado por coincidir com num dia de semana que o oráculo não vê com bons olhos, a coincidência com a sexta-feira conformou‐se no 13 pelo número da edição. Entretanto, nessa contagem, murmúrios à sordina apontam que ele assim ficou porque existe um filho bastardo e abandonado à própria sorte ao longo desses anos.

É uma disputa entre o 13 e o 14, tanto pela data quanto pela edição. Esse foi o prenúncio de que o que estava por vir não era, de todo,  missão para leigos: era uma cesariana que exigia mestria e sangue frio.

Os bastidores ferviam de adrenalina, uma excitação que até sobrava. As ruas falavam línguas de agitação. Recordavam o nascimento dos outros 12, cujos anúncios bradaram os céus, partiram loiças e cessaram xitegas. Ainda assim, seus estragos não foram nem de longe, tão avassaladores como os do 13.

Os sábios perguntam-se como, em duas semanas, alguém cujo poder pelas ruas foi outorgado, sem experiência nenhuma, ingénuo, engravidou gente de expectativas e, logo nos preliminares, cessou uma menopausa de aproximadamente seis ou sete anos. Custava acreditar naquela gravidez. Dela, dela apenas esperavam-se infortúnios ou um comunicado do abordo, daquelas com mensagens retóricas que não vão além do peso fonético e semântico, onde todos lamentariam com muita dor e consternação, a nossa perda.

Os bufos eram soltos de todos cantos. Orifícios exalavam odores por todos os poros. Os especialistas digitais, donos da verdade, sentenciavam fracasso daquela gestação. Questionavam preferências e, com base em teorias económicas, socioculturais ou incidências factuais, rodopiavam indignação.

Na teimosia típica, a gravidez indesejada continuava e prosperava. Houve instantes de hexitação, anúncios esporádicos de aborto, mas teimosamente, ainda que a trajectória até ao palco da cesariana fosse um martírio para os condutores, o facto é que, o fecto,  a cada boato e trepidação, ganhava forma.

As investidas vieram de todos os lados até ao último minuto, e de todas estirpes. Falou‐se de supostas traições, da falta dos orçamentos para os cachés e até mesmo para o pagamento da pensão alimentícia. Sabia se que, abandonado à própria sorte, nem a gestante nem o obreiro teriam como se reerguer. Para o espanto e surpresa de muitos, havia cede e muitos dariam mais do que possuíam, para ressuscitar a própria puberdade. Por isso, o anúncio do nascimento do XIII, no dia 14, foi também celebrado.

Os eventos do dia foram sublimes. Cortejos, solenidades e extravagâncias de variada natureza. Amasso, goles, nudez, corpos de todas as geografias e mapas coloriam a praia. E, na euforia e no exagero, a gula, a bebedeira e a fornicação, foram exibidas como se fossem revanche pelo dinheiro entregue no ofertório durante a makeya.

Houve exageros de todas partes. Parece que a dança só é dança quando a cintura mexe mais do que qualquer outra parte do corpo. Até a cabeça não dançou kadoda mais do que as cinturas. Os pilares das colunas e da iluminação, também foram ticulados. Enfim, cada artista conhece o seu público.

Foi assim na última actuação. Embora aqui, possa dizer-se que cada público conhece o seu artista. Naquela saída do palco, viu se o insano, daquelas cenas que não se veem todos os dias no nosso meio. De braços projectados e corpo estendido ao alto, enquanto supostamente cantava, o artista era transportado do palco para uma passeata pela praia, enquanto saltitavam esqueletos possuídos de espíritos pornográficos que só o festival proporciona. Com a saída triunfal do último artista da noite do palco das estrelas do Lago e as cenas de adultos sobre as águas, paria-se, sem dúvidas, o XIII Festival das Estrelas do Lago.

Por: Ntumbuluka

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Revista Uphile 1ª Edição