“A Vida Que Não Vivi” por Jonito Carlitos Janeiro

A Vida Que Não Vivi
A escuridão ameaça
os meus olhos antes de abrir.

Pai… cadê mamã agora?
Por que aos poucos vou sumindo?
Era pra nascer em Abril,
Mas a angústia vem me roendo.

Sinto em vós o cheiro de morte,
Voz que mata o ser sem protecção.

Papa meu sonho era ser contabilista,
Mas os sonhos foram-se, perdidos.
Esses arrebatados por químicos,
Ou os sem voz da manifestação
Vós, misoprotolistas

Dupla de assassinos sem remorso.
Falo pelos que foram enterrados,
Indefesos, sem voz, para sempre.

Mamã, me diz, tás feliz comigo?
Por me tirarem o direito à vida?
Por que sinto tua tristeza ainda,
Mesmo estando sem vida, sem chão?

“Viemos do pó e ao pó voltaremos”,
Mas do ventre não retornaremos.
Mãe, estou cansado de tantas campas,
No ventre vazio, tantas vidas mansas.

Vou contar ao Mestre tudo, confesso:
Meus pais assassinaram minha vida.
Vivo no meio do nada, sem alento,
Pois minha existência foi falência.

Eles não sentiram afecto algum pelo feto,
E não foram punidos por seus crimes.
Leis de assassinos legalizaram crimes,
Tirando vidas antes de nascerem.

Queria, ó Mestre, também experimentar
a vida dos meninos que se divertem.
Vejo tantas crianças felizes e livres,
Isso me deixa cheio de ciúmes, sempre.

De: Jonito Carlitos Janeiro

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