Entre Mãos Estendidas e Pontes por Cuidar: Silas de Melo Entertainment mobiliza campanha solidária em apoio às vítimas das inundações no Bairro da UP, em Lichinga

No Bairro da UP, onde a água recente ainda parece morar na memória do chão, a solidariedade chegou antes que o silêncio se instalasse. A campanha promovida pela 𝐒𝐢𝐥𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐌𝐞𝐥𝐨 𝐄𝐧𝐭𝐞𝐫𝐭𝐚𝐢𝐧𝐦𝐞𝐧t, através do movimento “MC Saloy e Amigos”, transformou-se num gesto coletivo de cuidado, levando às famílias afetadas não apenas donativos, mas a sensação de que a dor partilhada pesa menos.

Entre sacos de alimentos, roupas dobradas com pressa e esperança, ouviram-se vozes dos beneficiários, enquanto segurava os donativos como quem segura um recomeço, com a mesma humildade com que receberam: “A água levou a nossa casa, mas não levou a nossa fé… Esta ajuda devolveu-nos força…Quando tudo falha, é a mão do outro que nos levanta.”

Mas a gratidão caminhou lado a lado com o pedido sereno por mudanças duradouras. Os moradores falaram da ponte como quem fala de um coração frágil da cidade, essencial, mas descuidada. Pediram às autoridades competentes que olhem para ela com atenção, que organizem o seu curso, que deixem as águas passar sem voltar a invadir casas e vidas.

Em nome da 𝐒𝐢𝐥𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐌𝐞𝐥𝐨 𝐄𝐧𝐭𝐞𝐫𝐭𝐚𝐢𝐧𝐦𝐞𝐧𝐭, o MC Saloy destacou que a iniciativa nasceu do dever de não virar o rosto diante da dor alheia: “Viemos para ajudar no agora, mas também para lembrar que o amanhã precisa de cuidado”.

O artista das artes infinitas, hoje, largou a poesia, a mestria das cerimónias, a encenação e as telas, e no papel de activista social, driblou a angústia, a carência e algumas necessidades das vítimas da fúria das águas do rio Luchiringo. E numa plateia de sorrisos largos e passos de todas idades, a arte revelou-se terapia, onde para além dos bens oferecidos, a música e dança, sararam feridas da alma.

Ainda assim, o apelo carregado de nostalgia e sentimento de dor para a resolução do problema, devolveu serenidade ao momento, para que outros tantos apoios cheguem, mas noutras circunstâncias. Assim, entre palavras contidas e gestos simples, a campanha seguiu deixando marcas suaves, porém profundas. Enquanto as águas procuram o seu rumo natural, fica o desejo colectivo de que as pontes físicas e humanas sejam tratadas com o mesmo zelo com que, nestes dias, se estenderam as mãos.

𝐀𝐧𝐚 𝐀𝐧𝐝𝐫é 𝐌𝐢𝐭𝐚𝐰𝐚